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Escola ao ar livre vs escola convencional – Os medos mais comuns
21 Janeiro 2026

Escola ao ar livre vs escola convencional – Os medos mais comuns

Escola ao ar livre vs escola convencional – Os medos mais comuns

Neste artigo, Ana Galvão, uma das fundadoras da Escola Lá Fora, partilha a sua opinião e as dúvidas mais comuns quando chega a hora de decidir:

Escolher uma escola ao ar livre nem sempre é uma decisão óbvia. Para muitas famílias, esta escolha levanta questões que tocam crenças muito enraizadas. Mesmo quando sentimos, de forma racional, que faz todo o sentido, acabamos por vacilar quando ouvimos opiniões contrárias de amigos ou familiares. É normal.

A verdade é que estas dúvidas também surgiram quando fundamos a Escola Lá Fora. 

Depois de anos em escolas convencionais e de ter crescido num contexto mais conservador, também eu me questionei: Será que a chuva não traz desconforto? Será que vão conseguir integrar-se no ensino regular no futuro? Será que este modelo os deixa sem limites ou socialmente fora da realidade?
(mentira, a última nunca me ocorreu, mas sei que é uma preocupação recorrente de algumas famílias.)

Foi através da experiência, da observação diária e também da ciência que percebi que este era o caminho certo: crianças saudáveis, resilientes, curiosas, felizes e preparadas para lidar com desafios. Por isso, partilho aqui algumas das dúvidas mais frequentes e o que temos observado ao longo dos anos na Escola Lá Fora.

 

“Mas será que é confortável e positivo estar na rua e à chuva o ano todo? Não será demais?”

Confesso: quando estava no escritório, também pensava “coitados, será que estão bem lá fora?”. Mas bastava chegar à floresta para sentir a tranquilidade contagiante da natureza e a serenidade da brincadeira lá fora. O desconforto é superado com roupa adequada — é essencial!

Claro que há dias de chuva intensa e imprevistos. Nestas alturas, a preparação antecipada da equipa com procedimentos bem definidos é essencial para que as crianças se sintam sempre em segurança. (modéstia à parte, sei que nesse ponto temos uma equipa exímia). Para as crianças, este momento rapidamente é encarado com naturalidade, sendo um desafio que as torna mais resilientes e com facilidade de adaptação à mudança.

Resta-nos a questão: Mas mesmo assim compensa? Sim, compensa sempre. As crianças ainda não estão completamente “moldadas” às nossas crenças e receios, sentem-se parte integrante da natureza e os seus sentidos estão receptivos ao que a natureza lhes traz. Lá fora têm a liberdade para correr e gritar e a possibilidade de se moverem de forma saudável e espontânea. Tudo isso faz parte de um crescimento equilibrado.

 

“Não existe perigo por haver liberdade a mais?” O receio de que as crianças cresçam sem regras ou sem noção de limites.

O Modelo Forest School é uma pedagogia participativa: as crianças aprendem a organizar os seus dias em grupo, a tomar decisões e a respeitar o outro. Desde muito pequenas se habituam ao que é viver em democracia, aprendendo a usar a sua voz. 

As regras não são muitas, mas são fundamentais para se viver em sociedade e por isso existem. Na Escola Lá Fora, as regras são construídas com as crianças. Assim, fazem sentido para todos e são naturalmente respeitadas.

Resultado: Crianças mais autónomas, responsáveis e empáticas. E acreditem, nunca são “pequenas demais” para lidar com esta responsabilidade — surpreendem-nos sempre. 

 

“É tudo muito bonito, mas quando é que aprendem?”

Para quem está de fora, nem sempre é fácil entender de que forma e em que momentos as crianças aprendem, principalmente no que diz respeito às aprendizagens mais formais.

Brincar é essencial para o desenvolvimento humano. Aprender acontece quando nos relacionamos, quando somos ouvidos, quando perguntamos, quando encontramos soluções. 

Na Escola Lá Fora, seguimos as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, alinhadas com o Ministério da Educação. Ou seja, não se trata de “faltar ao essencial”, mas sim de viver de uma forma mais integrada.

Aqui, o desenvolvimento da criança é visto como um todo e trabalhamos todas as áreas do desenvolvimento partindo dos interesses do grupo. O que se faz numa sala de aula pode ser feito ao ar livre — mas com mais movimento, mais ligação à natureza e mais significado para quem aprende.

A grande diferença não é se aprendem, mas como aprendem. E isso faz toda a diferença no futuro.

 

“E depois como se adaptam ao primeiro ciclo?”

Esta é talvez a dúvida mais frequente. A nossa experiência mostra-nos que a adaptação ao primeiro ciclo vai depender essencialmente do perfil de cada criança, não tanto da escola que frequentam anteriormente. 

Acreditamos que lhes damos as ferramentas para enfrentarem os desafios que uma primária lhes traz e que retirar-lhes a oportunidade de crescer em liberdade e em consonância com as suas necessidades não os irá ajudar nessa preparação. Ou seja, não é por estarem sentados a uma secretária aos 5 anos que irão aguentar mais horas sentados aos 6, antecipar etapas de desenvolvimento não deve ser o caminho escolhido.

Da Escola Lá Fora levam as aprendizagens essenciais, a confiança em si próprios e a vontade de querer saber sempre mais. 

 

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